Cannes - Tecnologia: futuro do advertising

23.06.2010

Palestra CannesQuarto dia de festival. O Brasil é o país mais premiado em Press, no Cannes Lions 2010. O mesmo aconteceu na categoria Outdoor. O que nos surpreendeu muito. Afinal, a maior e mais rica capital do país está impossibilitada de usar essa mídia.

Almap lidera o ranking de todo o festival, mas isso não é novidade. Triste é ver a nossa participação em Cyber: temos na mala apenas um Leão de bronze. E olha que neste ano só se falou de digital no Brasil. Vimos a nossa classe C invadir a internet, os nossos usuários investirem infinitas horas em navegação, e as redes sociais estourarem como a principal ferramenta de relacionamento, mas toda essa energia não refletiu em nossa participação no festival. Que venha 2011.

Cannes está pegando fogo. A impressão que fica é que milhares de pessoas chegam todos os dias aqui. E o Palais já não segura mais. Todos os seminários, aulas e workshops excederam a lotação. Gostoso de ver tanta gente com sede de conhecimento, trocando experiências sem parar, correndo de uma sessão de trabalho para a outra.

Uma coisa que tem sido muito falada por aqui (e também nas redes sociais) é que este ano o festival não trouxe muita novidade. É verdade. Os assuntos são os mesmos e as preocupações muito similares – os discursos parecem até meio velhos. Vivemos em um mundo tão conectado, onde tudo acontece (de verdade) em real time, que não há mais delay ou diferença entre o nível de informação de players de uma mesma categoria (a não ser que você não se interesse por novidades).

O seminário da RGA hoje, por exemplo, foi maravilhoso. A participação de Nick Law e Barry Wacksman fez com que os hashtags de #cannes e #canneslions ganhassem muitas e muitas páginas. No entanto, é fato que para quem segue-os no Twitter e quem acompanha o trabalho da RGA não houve novidade alguma. Foi apenas uma apresentação perfeitamente organizada, muito envolvente e divertida.

O mesmo aconteceu com as palestras da Coca-Cola e da Microsoft, lideradas por Mr. Tripodi (Chief Marketing) e Ms. Mich Mathews (Senior VP Marketing), respectivamente. Os dois, uma simpatia. As apresentações, deliciosas. Mas nada de novo. Ambos apresentaram super produções de advertising, reforçaram a importância da integração dos meios e obviamente a relevância das redes sociais. Enfim, no new news.

Estivemos ainda nas sessões de Google, Leo Burnett e Barbarian Group. Este último foi muito interessante. Nada de metáforas para contar histórias, mas muita muita muita demo para vender inovação. Encantador. A apresentação foi inteiramente conduzida em um iPad. Isto pode parecer “nada inovador”, mas foi a primeira vez que esta interface apareceu em, pelas minhas contas, 17 sessões de trabalho. Vale muito à pena acompanhar o trabalho deste pessoal – sobre 3D, realidade aumentada e animação.

Saí desta sessão com a certeza de que a tecnologia liderará o futuro do advertising. Vocês precisam ver os rostos admirados e felizes de consumidores sendo surpreendidos por ações de realidade aumentada de diferentes marcas. Muito significativo.

E para finalizar, fica aqui uma provocação inspirada na apresentação da RG/A:
Reimagine, Redesign and Rearchitect.
Estamos à frente e com tudo em nossas mãos, mas precisamos ter disciplina para nos reimaginar, nos redesenhar e nos reorganizar todos os dias. Porque o contexto muda diariamente.

Fazendo uma análise rápida, vamos listar nove pontos do contexto atual:
- Informação: hoje, totalmente democrática, com o Google como o principal promotor de contatos.
- Transação: notem a participação e o crescimento do comércio eletrônico, provocando uma mudança enorme no comportamento do consumidor.
- Participação e conversação: Facebook e Twitter dão megafones e mais poder do que nunca aos nossos clientes.
- Aplicações: as mais diversas ferramentas digitais mudam nosso comportamento todos os dias. Notem o sucesso da ferramenta de organização financeira “Mint”.
- Localização: Google Maps, Four Square, etc.
- Diversidade: a tecnologia derrubando qualquer barreira entre continentes, países e culturas (exemplo: www.hulu.com)
- Conteúdo: vejam o YouTube com mais de 700 bilhões de vídeos.
- Visualização: hoje tudo é fácil de entender em um piscar de olhos. Imagens, gráficos e diagramas. Um bom exemplo são as ferramentas disponibilizadas pela Nike Running.

Enfim, precisamos nos comprometer com a análise profunda do contexto antes do início de cada dia de trabalho. Só assim conseguiremos tirar o melhor proveito desta nova era da comunicação que, para mim, parece ser a melhor de todas.

Veja também os outros textos da cobertura de Cannes:
- As primeiras impressões direto de Cannes: http://migre.me/QURb
- Content quality x engagement: o vídeo como peça estratégica http://migre.me/QX6e
- A importância do invisible advertising, a volta do product placement e a relevância da história: http://bit.ly/bOOsnl
- A tecnologia vai liderar o futuro do advertising: http://migre.me/Rz7m
- Campanhas impressionantes seguem duas regras: tecnologia invisível e real time: http://migre.me/RNoL
- O poder da simplicidade na mensagem: http://migre.me/S7nC

Louise Beltrão, Diretora de Atendimento da GNova, na cobertura especial do Festival Cannes Lions (23/06/2010). Fique por dentro de cada detalhe do festival:
@GrupoTV1 e @GNova_.


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