Literatura em 140 caracteres (O Globo)

15.10.2009

Alexander Aciman e Emmet Rensin, dois jovens estudantes britânicos, foram os primeiros: resumiram 60 clássicos da literatura mundial e lançaram, na semana passada, o livro “Twitteratura”, pela editora Penguin Books.

Ainda na Inglaterra, a Royal Opera House vem usando o Twitter para criar uma nova ópera, com a ajuda dos seus seguidores. Por aqui, os nanocontos também já começaram a fazer sucesso: blogueiros e escritores brasileiros perceberam o retorno imediato da rede social e colocaram no Twitter teasers de suas obras, já lançadas ou não. A Twitteratura, como o fenômeno vem sendo chamado, já teve até concurso. Este mês, o shopping Praia da Costa, em Vila Velha, no Espírito Santo, realizou o 1oFestival de Twitteratura, com a participação de mais de 300 pessoas. A criatividade rolou solta. Agora, entra no ar o segundo festival, promovido pelo Shopping Tijuca.

O objetivo do concurso é contar histórias, com princípio meio e fim, em apenas 140 caracteres. Jurada do festival, a professora Darcília Moysés, mestre em estudos literários pelo Centro Universitário de Vila Velha (UVV), aproveitou os nanocontos em suas provas como exemplo de cybercultura.

— Ainda é muito precoce para dizer se a Twitteratura é ou não uma nova forma de literatura. Mas o que me encantou foi a capacidade de evocar tantos sentidos em tão poucos caracteres. Me lembrou o haikai na poesia, arte minimalista, e que diz tanto. Nesse sentido, caminhamos para um outro olhar sobre a literatura — diz.

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