10.08.2009
As fronteiras móveis do marketing
Você já ouviu rádio pelo celular? Provavelmente, como eu, nunca. Mas, assim como estamos usando o computador para telefonar, tem gente transformando o telefone em rádio.
Pesquisas indicam que este se tornou um dos serviços mais acessados pelos brasileiros de baixa renda. Mostrando sua vitalidade como mídia, o rádio se mantém como hábito de quem enfrenta horas em transporte público – só que agora, em vez do antigo aparelhinho à pilha, na versão celular, com fones de ouvido fazendo papel de antenas.
Mais do que uma curiosidade, o dado reflete a complexidade do consumo de mídia no contexto de convergências e multiuso, e remete aos desafios da próxima fronteira do marketing: a mobilidade. Ainda limitado por questões tecnológicas e de usabilidade, o mobile é um mercado embrionário, mas cujo modelo de negócios vem sendo construído passo a passo por uma leva de pioneiros. Afinal, continua complicado acessar a Internet pela maioria dos celulares – não por acaso, o que predomina é a troca de mensagens de texto. Mais de 70% do tráfego mundial das mensagens digitais passa por esses canais, cifra que chega a 90% nos países em desenvolvimento.
Mas os smartphones estão se disseminando rapidamente e já permitem experiências mais intuitivas e poderosas. A previsão é de que os canais móveis se afirmem em pouco tempo como importante alternativa de mídia, pela capacidade de atingir o consumidor de forma personalizada, com conteúdo relevante. Segundo a ABI Research, o mercado mundial de propaganda em dispositivos móveis deve saltar de 1,8 bilhão de dólares em 2007 para 24 bilhões em 2012.
A mobilidade traz um elemento a mais para a charada que se tornou o marketing nesta era de mídias participativas e cross-midia. Como se o próprio marketing, aliás, estivesse frente a uma fronteira móvel, já que cada inovação abre caminho para outra, num processo vertiginoso. Mal as marcas começaram a acertar o passo na Internet, e as redes sociais chegaram para reconfigurar o ambiente digital - e com ele a comunicação e o branding. A novidade da vez, o Twitter, nem sequer foi decifrado como mídia e já somos confrontados com os números sobre a sua baixa retenção de usuários. A integração do online com o offline continua a exigir uma mudança cultural por parte de agências e anunciantes.
E uma nova geração de consumidores nativos da rede, os “millennials” , impõe sua cultura e valores : quer participar não só da criação do produto, mas também da comunicação. Este ambiente radicalmente diverso de mercado tem a sua curva de aprendizagem, requer espírito de desbravador - gente disposta a ousar em busca de valor novo, como “Indianas Jones” do marketing. Mas isto pode parecer um paradoxo em tempos de aperto econômico.
Diante de pressões conflitantes, o marketing vive uma sobreposição de crises, indicam pesquisas globais com CMOs. O mesmo cenário se reflete em sondagem sobre o mercado brasileiro conduzida pela IK Idea, sob encomenda do Grupo TV1, da qual participaram 48 diretores de marketing e comunicação de grandes empresas. A sensação é de uma profissão no divã, dividida entre a premência de inovar e o temor de se arriscar nos novos caminhos. Como lá fora, o marketing excessivamente focado em branding está perdendo espaço para o trade, e a mensuração de resultados desponta como prioridade total. Como comentou um dos entrevistados: “Se eu não tiver como medir resultado, a idéia pode ser o máximo, mas nasce morta.” Do outro lado, cresce a pressão pela inovação e a ameaça de obsolescência profissional: “as mudanças são tão rápidas, que quem não consegue se atualizar perde o posto”.
Mas também há quem consiga detectar oportunidades olhando o quadro por outro ângulo. Estes começam a enxergar as mídias digitais como parte da solução, não o problema. Afinal, elas atuam também como ferramentas de mensuração e, quando alinhadas à estratégia de negócios, geram informações para inteligência de marketing. Por isto, na crise, vem mostrando sua capacidade de turbinar vendas a partir de investimentos relativamente menores do que os da publicidade tradicional - uma relação custo-benefício particularmente atraente em mercados estagnados. O paradoxo entre inovação e resultados seria, portanto, falso. Nas palavras de um dos entrevistados: “ a melhor inovação, afinal, é a boa comunicação, e a boa comunicação é aquela que vende”.
Selma Santa Cruz para o Meio&Mensagem
Sócia-diretora de Planejamento do Grupo TV1 Comunicação e Marketing
publimms@hotmail.com
Além de muitas idéias sobre o uso do MMS, o artigo deu mais uma:
Nos onibus,metrôs ou trens, intalassem um disparador simples de bluetooth e as empresas “locariam” por determinado tempo e vincularia sua ação para quem estivesse neles.