Brasil ponto com (Meio & Mensagem)

16.03.2009

Sócia-diretora de Planejamento do Grupo TV1 Comunicação e Marketing
selmascruz@tv1.com.br

Brasil, mostra a sua cara! O refrão de Cazuza vem à mente quando o país se prepara para começar a implementar uma  estratégia avançada de comunicação digital. A decisão da SECOM que, após longo e criterioso processo de licitação, escolheu pela primeira vez uma agência especializada e exclusiva para cuidar da presença institucional do Brasil online, não significa apenas que as novas mídias terão, afinal, a atenção diferenciada que merecem por sua relevância e especificidade. Mais do que a mera reformulação dos portais existentes, esta mudança nos coloca na vanguarda dos avanços hoje em curso no mundo em direção a uma nova forma de os governos se comunicarem e gerirem a coisa pública - o que Barack Obama evidenciou com sua eleição apoiada no e-marketing e a adoção do e-government, como comentamos neste espaço, há alguns meses.

A iniciativa pioneira da SECOM, merecedora do aplauso de todos os que acreditam que comunicação cria valor, traz embutida uma oportunidade histórica: a de se tirar partido das tecnologias de interação, segmentação e colaboração da Web 2.0 para democratizar o acesso da população às informações e serviços, imprimir maior transparência à gestão pública e ampliar o espaço de participação cidadã. O desafio da TV1.Com, agência do Grupo TV1 que venceu a concorrência pública, será  aplicar pensamento e práticas inovadoras à construção de  uma plataforma inteligente de comunicação e relacionamento do Brasil com todos os seus públicos, internos e externos.  E ajudar a desenhar, como quem traça as linhas de um projeto urbanístico, os alicerces, infra-estrutura, diretrizes, conteúdos e visuais de um novo retrato online do Brasil: uma presença multifacetada e multímidia, capaz de traduzir nossa diversidade, singularidade, forças e diferenciais competitivos. Sempre tendo em vista os objetivos institucionais e estratégicos do Brasil e dos brasileiros.

Como fazem hoje as melhores empresas do mundo, o país passará a cuidar da sua imagem e marca no ambiente digital beneficiando-se de recursos de Search Engine Marketing, Social Media Optimization, Data Intelligence, Mensuração e Tracking entre outros, com um duplo objetivo: alcançar maior eficácia na comunicação e gerar inteligência que alimente o aprimoramento contínuo da plataforma. Os ganhos potenciais são evidentes na comunicação externa, onde a plataforma digital se somará aos esforços de Relações Públicas para melhorar o posicionamento do Brasil na economia globalizada e hipercompetitiva.  Na divulgação do Brasil, o uso da Web 2.0 permite contornar as limitações da intermediação da imprensa internacional, nem sempre isenta e bem informada, com a abertura de canais diretos, segmentados e interativos com os diferentes públicos. Seja para a atração de capitais junto a investidores, que disporão de site específico em vários idiomas, seja como impulso às exportações e ao turismo, ou ponto de referência para funcionários de organismos internacionais, acadêmicos, estudantes, formadores de opinião ou o público em geral.

Em relação aos brasileiros, ao valorizar e organizar na Internet, com conceito de segmentação e comunidades, informações hoje fragmentadas e por vezes desatualizadas sobre direitos e serviços públicos, a comunicação digital contribuirá certamente para estimular a melhoria no atendimento. Sobretudo se considerarmos os crescentes avanços em inclusão digital. Neste contexto, a possibilidade de compartilhamento e mobilização da população por meio da rede sugere a possibilidade real de uma ampliação da esfera pública, um avanço na democracia. É arriscado falar na utopia da ciberdemocracia, conceito polêmico desde que foi introduzido por Pierre Lèvy, há mais de uma década. Teria a Internet, como acreditamos, um caráter inerentemente empoderador e democratizante? Ou serviria, como apregoam os céticos, para aumentar a manipulação das mídias e a distância entre incluídos e desconectados? A tecnologia, como se sabe, é apenas um recurso, cujo uso depende de escolhas políticas. Mas a comunicação digital já está democratizando os mercados. É difícil imaginar que não terá impacto na política e na cidadania.

 

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