Movimento Ascendente (Meio & Mensagem)

3.02.2009

Economia pode ajudar no crescimento dos canais online; mercado analisa novas formas de publicidade.

Quando se fala em mídias digitais, em que a palavra de ordem é inovação, os que se deixarem tropeçar na sedutora zona de conforto podem colocar em risco a oportunidade de participar do tão esperado espetáculo do crescimento.  Diante de um mercado mais maduro e de um cenário economicamente não muito animador, os profissionais que trabalham com esses canais estão seguindo os princípios de rápida evolução dos meios e já traçam algumas das tendências a serem trabalhadas ao longo de 2009.

Sob a expectativa de se beneficiar deste período de crise, graças a tão comentada relação custo/benefício, o mercado deverá viver um melhor uso do marketing de buscas (search) e dos canais de relacionamento, como as redes sociais e telefones celulares.
Segundo Patrícia Andrade, diretora executiva da TV1.Com, que essas foram plataformas que ganharam bastante força em 2008 e agora devem mostrar maturidade tanto no que diz respeito ao monitoramento do que é dito pelos internautas como no aspecto de viralização de mensagens.  “Acredito que agora já conseguimos entender que existe uma forma adequada e eficaz de propagar mensagens e esse é um ativo muito valioso no nosso mercado”, comenta.

De acordo com os profissionais do setor, o formato em vídeo também deverá se destacar ao longo deste ano.  Essa tendência é confirmada, por exemplo, pelo aumento de procura e interesse, por parte das produtoras, por entidades como IAB Brasil e as próprias agências para que as oportunidades não sejam desperdiçadas.  “Os portais já começaram no final do ano a mostrar suas plataformas tecnológicas voltadas ao formato de vídeos e estamos começando a viver uma forte demanda. Acredito que a evolução dos portais exclusivos para celulares também exigirá empenho para criar e veicular vídeos nos próprios telefones, o que demandará mão-de-obra ainda mais qualificada por parte das produtoras”, diz César Paz, presidente da AG2, agência que prevê crescimento de 25% no ano que se inicia.
Com faturamento de R$ 5 milhões em 2008 e foco justamente na geração mais jovem e fanática pela internet, a Focus Networks também espera uma exploração bastante significativa da blogosfera e de todo e qualquer ambiente colaborativo. “Este será o ano das mídias emergentes como os Ad Widgets ( formato que permite mais interatividade e produção de conteúdos de qualidade), muito explorados nos Estados Unidos e que deverão começar a ser também mais utilizados pelas agências brasileiras no mix de comunicação digital”, aposta Rafael Kiso, diretor de tecnologia da agência.

Os games desenvolvidos exclusivamente para as empresas e a inserção de publicidade dentro de outros também deverão figurar entre as vedetes da propaganda digital. A Hive, por exemplo, que trabalha nesse setor e criou  jogos para clientes como Gillete e O  Boticário espera aumentar a receita com publicidade em cerca de 50%.

“Os resultados são bastantes tangíveis para os anunciantes, tanto em termos de exposição de marca como em número de cadastros e conhecimento de  clientes.  Para se ter uma idéia, os projetos que programamos para o lançamento no primeiro semestre já estão com todas as cotas de patrocínio vendidas”, conta Mitikazu Lisboa, diretor da empresa.

Outros formatos devem começar a receber mais atençaão nas experiências de comunicação digital.  Entre eles estão os microblogs como o Twitter, o marketing de buscas focado em semântica e o Folksonomia que consiste na capacidade de categorizar os diversos conteúdos disponíves na web através de palavras-chave ou as chamadas tags.

Porém, mesmo com o crescimento dos canais digitais, a consciência de multiplataforma deve continuar gerindo os planejamentos.  Trabalhar os diferentes canais de on e off- line continua sendo vital para o sucesso de determinadas campanhas.   Na opinião de João Muniz, diretor geral da Lov, a principal revolução para este ano diz respeito justamente a uma mudança profunda no modelo de negócios e estrutura de mercado.  “É necessário que cada agência foque naquilo que sabe fazer de melhor e desempenhe seu papel específico no atendimento de um cliente. Claro que todos os envolvidos devem conversar para a obtenção do melhor resultado final, mas acredito que, por conta do próprio amadurecimento dos anunciantes, os profissionais online deverão ter seus espaços mais bem ocupados por suas competências.  Este é uma ano que promete”, diz.

Um ano para ser lembrado.

Para um ano em que as expectativas giravam em torno de expansão da ordem de 25% a superação das metas dentro das agências e núcleos digitais foi um destaque e tanto em 2008.  Os balanços , agora em finalização nas agências, apontam  para crescimentos bastante significativos, levando-se em conta a conquista de novos clientes e o aumento de investimentos dos que já faziam parte da carteira.  Na F.biz, por exemplo, o faturamento subiu 40% graças à consolidação de 12 contas e ao aumento da procura por projetos de móbile.  A Wunderman Brasil apresentou o mesmo índice, sendo que hoje cerca de 65% da receita total é proveniente das ações para o universo online.  “Nosso crescimento de 40% foi o maior já registrado em 30 anos de história da agência no Brasil. Esperamos agora manter esse ritmo conquistando novos clientes, aumentando e qualificando nossa oferta de produtos e serviços”, espera Eduardo Bicudo, presidente da Wunderman.

Na Young & Rubicam, que também integra o Grupo Newcomm, o ano também foi movimentado e o núcleo digital apresentou crescimento de 300% nos projetos para a área.  Segundo Fernando Taralli, responsável pela área de estratégia digital da agência, os resultados se devem à inclusão dos canais digitais nas estratégias de comunicação dos clientes da empresa.
“Estamos focados em crescer mais de 100% em 2009 e aumentar a atual participação de 3% que o digital tem nos negócios do grupo”, completa.

Os bons resultados também ocasionaram uma onda de contratações, tendo sido comum a procura por profissionais qualificados ao longo do ano.  Na maioria das agências digitais, o número de funcionários foi aumentado 20% em média, visando atender diversas áreas como mídia, criação, arquitetura de informação, projetos e tecnologia.

Em linhas gerais, como participação de 3,5%, índice apontado pelo Projeto Inter-Meios até o terceiro trimestre de 2008, na receita publicitária nacional, e tendo sido o meio que apresentou maior crescimento no período ( 47% segundo o mesmo Inter Meios), a mídia digital conquistou definitivamente os anunciantes e pelo visto, promete grande evolução para 2009.

De acordo com pesquisa realizada pela Forrester Research, os principais anunciantes globais reduzirão seus gastos totais com publicidade em aproximadamente 3% em razão da crise e irão redimensionar a distribuição dos investimentos entre as mídias migrando verbas de outros canais para a internet.  “Vemos na crise uma espécie de catalisador da migração da publicidade dos meios tradicionais para o digital, já que a busca é cada vez maior pela relação custo/benefício. Diante dessa realidade, estamos estimando que, ao final do ano, a participação dos canais digitais no bolo nacional chegue a dobrar e corresponda a até 8% do total”, diz Luiz Trindade, diretor comercial da iThink, que no ano passado cresceu mais de 189% em relação a 2007.

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